Originalidade e criação artística com a Orquestra Jazz de Matosinhos



Foi uma honra receber, em Santa Comba Dão, a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM), nos 25 anos desta formação de referência. Para um público eclético e marcadamente intergeracional, presente na noite de 23 de abril, na Casa da Cultura, gerou-se um raro momento de comunhão artística, num concerto que “trouxe composições de dois nomes que se revelaram fundamentais na história da orquestra mas também na transformação do meio jazzístico nacional: Pedro Guedes e Carlos Azevedo”.


Dois compositores que, nas palavras de Manuel Jorge Veloso, assumiram a OJM “como uma espécie de workshop dinâmico no qual é possível experimentar os mecanismos da composição e da instrumentação”.


Na Casa da Cultura, a OJM - dirigida por um dos fundadores, Pedro Guedes - deixou fortemente impressa a sua identidade sonora. Em palco foi explorada toda a abrangência tímbrica, o impacto e a expressividade de um reportório de autor - original, que aliou composições de inspiração mais clássicas e outros marcadamente experimentais.


Naquele que foi, assumidamente, um dos concertos em destaque no Festival de Música e Artes do Dão (FMAD), assistiu-se a um diálogo ritmado entre os vários instrumentos – trompetes, saxofones, trombones, piano, bateria, guitarra e contrabaixo - com uma linha de composição original, assente em jogos de construção, desconstrução e reconstrução.


Na apresentação das peças que preencheram este momento, Pedro Guedes sustentou que a OJM prossegue o rumo, definido aquando da fundação, enquanto 'orquestra de jazz de autor', ou não fosse assumida como um 'laboratório de experimentação'.


O concerto foi preenchido por temas de momentos diferentes da vida da orquestra: XX2, BJO e Farol, de Carlos Azevedo, e Peça em Peças, Sargaço e Som e Exposição (com os andamentos Branco, Ruído Branco; Madeira Caiada com Gelo; Amarelo, Talvez) da autoria de Pedro Guedes.

Ovacionados em pé, os músicos deixaram, naquele que foi o último andamento da peça Som em Exposição uma forte impressão sensorial no público, provocada por uma cadência musical que se poderia associar a uma viagem em mar alto, durante a qual momentos de calmaria foram alternados com episódios de tempestade e caos, sempre com uma esperança sonora de retorno.


Durante o espetáculo, Pedro Guedes apresentou a orquestra, composta por jovens músicos, agradecendo o convite do Conservatório para estar presente no FMAD. Afirmou, ainda, ter ficado impressionado, ao passear pela cidade, com o papel que a música tem na vida dos jovens e da comunidade santacombadense. "Há música a acontecer" reiterou, destacando a importância da presença de muitas crianças no público, o que - de acordo com Pedro Guedes - é já fruto desse investimento na cultura musical e na educação artística.

Sobre a importância do investimento na cultura, o maestro fundador da OJM deu o exemplo do apoio que a Orquestra recebe, desde o primeiro momento, da Câmara Municipal de Matosinhos - “um apoio sustentado” que considera fundamental para a criação cultural.

O FMAD prossegue no fim-de-semana de 14 e 15 de maio com a Masterdão - iniciativa composta por três concertos e várias masterclasses, que tem como objetivo propiciar uma imersão artística entre alunos, músicos e professores.