Somos todos Homens de La Mancha


"SOMOS TODOS HOMEMS DE LA MANCHA"

Foi com esta frase que terminaram os 5 espetáculos programados para os dias 6, 7 e 8 de Julho e que esgotaram o auditório da Casa da Cultura de Santa Comba Dão 15 dias antes da sua estreia.

A Direção do CMAD agradece deste modo, a todos aqueles que de alguma forma contribuíram mais uma vez para o sucesso deste projeto.

Bem hajam!

Quando for grande quero ser Don Quixote

A AMAD prossegue o seu projeto de criação de um MUSICAL que, desde 2009, atingiu uma notoriedade assinalável na afirmação da identidade de um território no panorama da formação e criação artística nacional. Este facto levou a que o Trigo Limpo teatro ACERT abrace, uma vez mais, o convite que honrosamente lhe foi feito.

A criação teatro-musical do ano passado “Da Pedra lascada à Broadway” foi um processo encantador, não só por se ter tratado de um original criado por uma equipa coordenadora e de intérpretes de eleição ou ter obtido o Prémio Anim’Arte de “Melhor Produção Artística 2017”, mas fundamentalmente por ter sido obra de um punhado de sonhadores para quem a vida é a busca generosa pelos lugares onde desejamos chegar.

Este ano, “O Homem de La Mancha”, constitui mais um audacioso desafio que consistirá na adaptação e inovação de um musical que, em 1965, obteve premiações e êxito admiráveis na Broadway. Um espetáculo que não se atém à repetição de outras versões; cede ao facilitismo que, muitas vezes, é manifestado em expressões paternalistas do tipo “são amadores e muito jovens e já parecem profissionais”. A verdade é que o rigor artístico não está compartimentado em hierarquias do tipo “jovem/adulto/amador/profissional”, antes obrigando à adaptação metodológica dos sujeitos fabricantes do propósito criativo”. Rigor, coerência e exigência são valores com que cada cidadão (não somente os artistas) desempenha o seu ofício. Como a interpretação é um processo assente nas emoções, memórias, vivências, experimentação das possibilidades e aprendizagem articulada, este espetáculo reflete um investimento coletivo onde a interajuda, a partilha de saberes e a humildade afirmativa são matrizes de trabalho de cada pessoa envolvida na criação, uma viagem emocionante de integração que não se revê no vedetismo serôdio ou num gratuito “casting para iluminados” .

Resta-me expressar, sem pieguices, que sou um pinga-amor assumido por este libreto que gostaria de ter interpretado como ator – sim, porque sou feito de Quixotes; porque presto tributo a uma direção da AMAD/CMAD idealista e empenhada; porque trabalho com uma equipa de coordenação artística que parece fazer parte de mim há séculos; por me apaixonar trabalhar com um grupo de artistas que, sendo jovens, têm capacidades desmedidas de sonhar e entregar-se ao que amam; por reconhecer a importância inaudita que os pais de fazer seus filhos cultos e felizes; por pertencer a uma numerosa equipa que só a ficha técnica pode enumerar e, desculpem-me a personalização, a uma ACERT, a cuja equipa tenho unido meu coração. Angustia-me o corte de apoio sofrido pela ACERT, mas sinto-me parcialmente compensado por o CMAD ter permitido viver esta aventura com a paixão que credencia a resistência continuada de lutar pelos valores que se defendem.

Despeço-me com a letra da canção cantada por Quixote:

Ouçam bem

a aventura que vos vou contar

Deste mundo tão injusto e cruel

Um cavaleiro andante de triste figura

Levantando sua espada no ar!

Eu sou eu, Don Quixote

O Senhor de La Mancha

O meu destino é sonhar

E os ventos me impelem