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Orquestra de Sopros faz voo multicultural pelas sonoridades do mundo


O pulsar das cidades e de alguns dos locais mais icónicos do mundo foi vivido, intensamente pelos passageiros, que embarcaram numa viagem à volta do mundo em 80 minutos, com a tripulação da orquestra de sopros do Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD). Uma infinidade de sonoridades diversas e ricas conduziram os passageiros por quatro continentes e por uma dúzia de países, numa viagem à velocidade cruzeiro, que teve como assistente de bordo Cláudia Matos.

As partidas aconteceram por cá, nos dias 3 e 5 de março, respetivamente em Santa Comba Dão e Carregal do Sal.

Com a orquestra tripulante a marcar a cadência da viagem, este foi um voo multicultural, que trouxe uma nova leitura da música e das culturas, tão mais rica quanto mais diversa.

Na primeira etapa, com início no continente europeu, o registo foi de sentimiento com a interpretação do paso doble 'El gato montez' de Manuel Penella. Da garra e entrega de 'nuestros hermanos', o avião seguiu até França, numa evocação do clássico eternizado na voz de Edith Piaff 'La Vie en Rose'. Por cá, a interpretação foi de Inês Moura que - com a sua entrega apaixonada e aguerrida - transportou cada um dos passageiros para uma Paris esperançosa e apaixonada do pós-guerra. De Itália, veio o tema que ainda hoje é cantado com alegria, composto para celebrar a abertura, em 1879, do primeiro funicular do Monte Vesúvio. Francisco Abreu arrebatou os passageiros com "Funiculì, Funiculá'.

Ainda pela Europa, Viena, o berço da música clássica, foi o destino que se seguiu com uma envolvente 'Valsa n. 2' de Dmitri Shostakovich, que trouxe aos corredores do 'avião', um grupo de bailarinos virtuosos, para a primeira de um conjunto de apresentações, que contribuiu para adensar a imersão cultural propiciada pelo voo. Com adereços representativos de cada um dos países ou regiões retratadas, as coreografias - divertidas e dinâmicas - ancoraram as diferentes sonoridades aos pins que foram marcando a rota no mapa mundi.

Também os pilotos deste voo, a maestrina Ana Catarina Matos e o maestro Abílio Liberal, bem como alguns elementos / músicos da tripulação, vestiram a cultura de cada uma das sonoridades da viagem, quer com um pequeno acessório quer com uma peça de roupa, característicos de cada um dos países visitados.

Numa pequena incursão a norte, o avião rumou ao país dos duendes, à Irlanda, com o verde dos trevos e prados irlandeses a ser sugerido pelos chapéus da mesma cor, envergados por alguns dos músicos que pontilharam a paisagem musical. O tom ideal para pintar 'Dublin Pictures' de Marc Jeanbourquin

No último pin do mapa da Europa, a região dos balcãs trouxe a música klezmer de influência judaica. Com uma cadência quase vertiginosa, 'Klezmer Karnival' de Philip Spark transportou a imaginação de muitos dos passageiros para um cenário de festa, retratado exemplarmente no cinema do realizador da região Emir Kusturica.

Da Europa para a Ásia, foi feita a devida vénia às sonoridades orientais, com 'A legend from Yao' do compositor Mao Yuan. O passaporte já repleto de carimbos recebeu o 'selo' do continente africano, de onde veio o tema de John Williams 'Africa' numa evocação das viagens entre este vasto território e o continente americano.

Depois de uma travessia do Atlântico, já na América, mas do sul, foi partilhado o intemporal tema de Astor Piazzola, 'Libertango'. O nome da obra resulta da fusão das palavras Liberdade e Tango, numa alusão à liberdade compositiva do novo tango criado pelo próprio Piazzolla. Neste tema, fica também uma nota de destaque para uma atuação marcante do grupo de bailarinos, que celebrou a arte enquanto expressão dessa mesma liberdade, com fortes raízes no direito à igualdade.

Ainda a sul, do quente Brasil, país do Carnaval, veio 'Tico-Tico no Fubá' - um choro composto por Zequinha de Abreu, que ficou imortalizado na voz de Carmen Miranda. A alegria contagiante da música enquanto arte celebratória prolongou-se até ao México de onde foram partilhados vários temas populares e clássicos, como 'Guantanamera', que Francisco Abreu interpretou com ritmo e sombrero a condizer

Mais a norte, mas ainda no mesmo continente, 'My Way' eternizado na voz de Frank Sinatra, levou-nos à cidade que nunca dorme, Nova Iorque, numa última paragem antes do regresso a Portugal, onde os passageiros foram brindados com o tema 'Parafernália popular' do compositor contemporâneo Marco Freitas. Uma manta de retalhos da música popular portuguesa, em que estão cosidos tecidos sonoros de vários cantos do país, com uma linha rítmica que surpreende sempre, não deixando nenhum passageiro indiferente

Neste regresso a casa, ficaram os agradecimentos aos músicos tripulantes, aos maestros condutores, aos bailarinos e coreógrafa, aos professores, equipa técnica e pessoal não docente do CMAD, aos pais, aos Municípios e Agrupamentos de Escolas associados.

Foi um excelente voo, sem turbulência e na melhor das companhias: a do CMAD Airlines!




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