O riso encontrou a partitura perfeita - Orq. Sopros CMAD
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O riso encontrou a partitura perfeita nos dia 27 e 28 de fevereiro em Santa Comba Dão e no Carregal do Sal. A ocasião foi de Circo Filarmónico, que - em edição 2026 - voltou a reunir a Orquestra de Sopros do Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD) com uma das formações mais versáteis do momento, a Mimo’s Dixie Band.
A banda promoveu um encontro com o jazz mais puro do início do século XX, unindo influências africanas e europeias num som irreverente, inesperado e agridoce. A tudo isto juntaram-se o humor espontâneo e desconcertante, o circo e a arte do silêncio.
Toda esta herança criativa da Mimo’s Dixie Band foi trabalhada com os jovens músicos e a maestrina da orquestra, num laboratório que antecedeu o espetáculo. O resultado foi uma apresentação incomum, desconcertante e, simultaneamente, muito divertida. Uma casa cheia recebeu com gargalhadas os inúmeros momentos de empatia entre mimos e orquestra, apesar de muitas vezes surgirem disfarçados de conflito, confusão e até distorção.
A plateia assistiu a toda esta manifestação de energia dos jovens músicos - com idades entre 12 e 16 anos - deixando-se surpreender pela irreverência de quem não se importa de calçar um sapato de cada nação, de pintar o nariz, de dançar break dance ou de reunir os colegas da percussão para jogar cartas e comer bolachas. Uma das cenas mais memoráveis aconteceu quando um dos mimos - tocador de tábua de lavar roupa, à boa maneira dixieland - apanhou uma migalha deixada no chão e simulou uma indisposição tão intensa que se lançou do palco para a plateia, escalando cadeiras e deixando o público indeciso entre o riso e o espanto.
A experimentação e o improviso, temperados por uma “loucura saudável”, foram uma constante ao longo do espetáculo. Destaca-se o momento em que a chefe de naipe dos trombones deu vida a uma gigantesca tuba soprando apenas por um tubo. Houve ainda quem cruzasse instrumentos como quem entrelaça braços: uma trompetista dedilhou as chaves do clarinete, enquanto uma clarinetista tomou conta dos pistões do trompete.
Um dos pontos altos aconteceu quando um dos mimos assumiu a condução da orquestra e revelou toda a versatilidade e qualidade artística da orquestra de sopros, numa peça feita de tonalidades etéreas e pacificadoras.
Com um programa que incluiu One Step (Original Dixieland Jass Band), St. Louis Blues (W.C. Handy), Abril em Portugal (Raul Ferrão / José Maria Galhardo) e peças originais da Mimo’s Dixie Band, como Mimodixielandia, este foi um espetáculo de múltiplas camadas. A fusão musical, o laboratório criativo e a atenção aos detalhes - desde a coordenação entre músicos e mimos até à utilização inventiva de objetos, percussão corporal e adereços - evidenciaram a capacidade de transformação da música em gesto performativo, em riso e em experiência sensorial completa.
Sobre o espetáculo
Circo Filarmónico – Mimos integra a Agenda da Casa da Cultura 2024-2027 da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, promovida pelo Município de Santa Comba Dão em parceria com o CMAD e com financiamento da Direção-Geral das Artes.

















































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