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Orquestra de Cordas do CMAD e Samuel Úria – uma reunião inesgotável de talentos



Considerado um dos “mais “interessantes” cantautores do séc. XXI, o tondelense Samuel Úria foi cúmplice do talento dos jovens músicos da Orquestra de Cordas do Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD) em dois concertos históricos e absolutamente memoráveis, que aconteceram, a 20 e 21 de maio, em Tondela e Santa Comba Dão.

Inquietação e resistência caminharam lado a lado neste espetáculo em dose dupla, co-produzido pelo CMAD e pela ACERT, numa experiência diferenciadora e marcante tanto para os alunos envolvidos como para o músico convidado, numa construção artística feita de simbiose e de “aprendizagens mútuas”.


Numa co-produção com a ACERT Tondela, o encontro equivaleu a um momento de desassossego artístico, a um “formigueiro nos pés e mãos”, a uma inquietação de fazer mais e melhor. Uma ode à resistência de quem continua a criar no interior do país, de quem não sucumbe aos obstáculos do caminho, de quem desamarra, continuamente, o preconceito e se expressa artisticamente em liberdade, de quem “vai além”.


De acordo com Luís Matos, diretor do Conservatório e José Rui Martins, figura de proa da ACERT, uniram-se forças entre a formação, a cultura e a criação artística, tornando toda uma região mais rica, através deste elo reforçado entre as duas entidades.


Feito de hinos sensíveis e vibrantes, o espetáculo assumiu um formato de celebração da riqueza poética da música portuguesa.


Canções intemporais e inesquecíveis das últimas três décadas do séc. XX foram trazidas, numa primeira parte do concerto, pelos jovens músicos da Orquestra de Cordas - dirigida pelo maestro Ricardo Monteiro – e pelos cantores Madalena Miguel, Maria Inês Moura, Simone Coelho, Francisco Abreu, Gonçalo Martins e Vasco Batista.


Do tom melódico e cativante de 'Solta-se o Beijo” (1999) da Ala dos Namoradas, até 'ao retrato da vulnerabilidade das emoções humanas' expresso em Frágil' (1989) de Jorge Palma, a jornada foi ao mesmo tempo intensa e sensível. “A Morte Saiu à Rua' (1972), de Zeca Afonso, trouxe o grito contido da revolta pela injustiça social, bem como a esperança num mundo melhor. Um otimismo que ganhou expressão no icónico tema de Sérgio Godinho “Com um brilhozinho nos Olhos”, de 1981. Do mesmo ano, a música Telepatia, de Lara Li marcou pelas características mais delicadas e introspetivas.


Dono de uma simplicidade genuína e de um sentido de humor cativante, Samuel Úria – “trovador” de “blues do Delta do Dão” - veio a palco na segunda parte do concerto. Consigo, trouxe a pureza de um registo musical cristalino, vertido diretamente de uma míriade de influências, que vão desde o gospel ao rock'n roll, não deixando de lado o punk e o fado.


Com uma versatilidade surpreendente, Úria transitou, com fluidez, entre um registo intimista e um tom explosivo. E o público - que encheu completamente as duas salas de espetáculos - foi arrebatado com a interpretação de 'Carga de Ombro', 'A Contenção', 'Não arrastes o meu caixão', 'Lenço enxuto' e 'Teimoso'.


A Santa Comba Dão, fez questão de dedicar a música 'Fica Aquém'- uma canção de protesto para desamarrar preconceitos relativamente a um território, que afirmou conhecer, desde pequeno, como “uma terra de liberdade”.


Do amor à revolta, da introspeção à crítica social, “entre o amparo e a provocação”, a música deste trovador moderno - “meio homem meio gospel, mãos de fado e pés de roque enrole” - foi amplificada em registo orquestral e com o suporte vocal do coro CMAD.


César Oliveira foi o “génio” responsável pelo arranjo de todos os temas presentes nestes dois espetáculos, em que foi corporizada uma reunião, sem precedentes, de talentos locais.







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