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Quatro obras, quatro universos em concerto memorável da Orquestra de Sopros do Dão

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    Admin
  • 10 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de set. de 2025

A música erudita ganhou nova proximidade com o público no concerto que, a 5 de setembro, encerrou o Estágio da Orquestra de Sopros do Dão, no Auditório Professor Fernando Paulo Gomes, Casa da Cultura de Santa Comba Dão. Sob a direção do maestro convidado Alberto Roque, este espetáculo assinalou o culminar da 3.ª edição do projeto, que teve início em 2014 com Luís Carvalho e conheceu continuidade em 2016 com António Saiote, afirmando-se como uma referência formativa e artística na região.


Promovido pela Associação de Música e Artes do Dão (AMAD) e pelo Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD), no âmbito do 17.º Festival de Música e Artes do Dão (FMAD), o Estágio reuniu jovens músicos de diferentes Conservatórios e Universidades do país com músicos profissionais, professores e alunos do CMAD. Durante quatro dias de trabalho intensivo - de 2 a 5 de setembro - os participantes viveram uma experiência de exigência técnica e artística, mas também de partilha humana e intergeracional.


O Festival acolheu ainda uma incubadora de criatividade que resultou numa série de concertos no Auditório do CMAD, em formato mais intimista, com jovens intérpretes a dividirem o palco com músicos já consagrados, muitos deles com raízes no Conservatório. O público pôde ouvir o um Duo de Flauta e Clarinete (Sónia Pais e Maria Gomes), um Trio de Oboé (Gonçalo Santos, Jéssica Marquez e Maria Silva), um Trio de Clarinete (Mariana Vieira, Inês Gonçalves e Beatriz Martins) e o Duo de Percussão Cow Bell (Ângelo Durães e Diogo Ribeiro).


Na apresentação do concerto, a maestrina Ana Matos - que dirige a Orquestra de Sopros do CMAD em conjunto com o professor Abílio Liberal - descreveu o estágio como um momento de aprendizagem e de encontro entre gerações, exemplificado pela presença em palco da primeira aluna do Conservatório a tocar lado a lado com atuais estudantes. Deixou ainda uma palavra de agradecimento ao Município de Santa Comba Dão, às autarquias da região e aos parceiros do festival, destacando o seu papel no apoio a “um projeto essencial para a cultura e para a identidade do nosso território”.



“Uma odisseia de descoberta de diferentes universos musicais”

O programa levou a plateia numa odisseia de descoberta de universos musicais distintos. A abertura fez-se com “Illumination”, de David Maslanka, compositor norte-americano cuja música se tornou presença obrigatória em bandas e orquestras de todo o mundo. A obra transporta consigo uma energia radiante, feita de vitalidade e de um espírito de partilha que se sentiu de imediato na interpretação.


Seguiu-se “Undanced Ballet” do húngaro Frigyes Hidas, obra que nasceu de um bailado nunca estreado e que evoluiu até se tornar um verdadeiro poema sinfónico. Dividida em quatro andamentos, a peça representa simbolicamente a luta entre o Bem e o Mal, alternando melodias de grande beleza com passagens rítmicas tão sombrias quanto frenéticas. No final, o triunfo da melodia afirmou-se como uma  mensagem de esperança e fé na humanidade.


Da autoria do maestro e compositor português Jorge Salgueiro, “Primavera” destacou-se como um dos momentos mais marcantes da noite. Escrita em homenagem a Luís Caetano, jornalista e divulgador da Antena 2, a obra começa com a leitura de um poema do próprio compositor, na voz de Luís Caetano, que ecoa ao longo da peça. A música alia frescura rítmica a uma forte inspiração lírica e organiza-se em duas linhas principais: o tema recorrente da Primavera, símbolo de renovação e crescimento, e a evocação da Ronda das Crianças, do segundo andamento das Otonifonias de Joly Braga Santos. Nesse cruzamento, a obra ergue-se como metáfora de um universo de possibilidades, ecoando com vitalidade e esperança, tal como o percurso que os jovens músicos em palco continuam a construir.


O programa encerrou com “Blue Shades”, de Frank Ticheli, compositor americano de ascendência italiana que evoca na sua obra a herança jazzística dos Estados Unidos. A interpretação fez sentir na sala o pulsar do jazz e do blues, enraizado nas antigas canções de trabalho e enriquecido por solos de grande expressividade, em ambiente vibrante e festivo.


Acolhido com entusiasmo e prolongados aplausos, o concerto incluiu, extraprograma, a obra “Paso Quebrado”, de Luís Cardoso, inspirada na tradição musical ibérica. A música alterna frases melódicas e rítmicas com naturalidade, mantendo sempre a graça e a energia próprias do folclore que lhe serve de fonte. Foi um fecho brilhante, de proximidade cultural e de vitalidade contagiante.


O concerto do Estágio da Orquestra de Sopros do Dão demonstrou a qualidade artística alcançada e destacou o papel do Festival de Música e Artes do Dão como motor de valorização da formação e da ligação dos músicos da região à sua comunidade. Ao reunir profissionais que iniciaram o seu percurso em Santa Comba Dão e que hoje desenvolvem a sua carreira dentro e fora da região, juntamente com jovens artistas em formação e estudantes universitários, o projeto afirmou-se como um espaço de encontro intergeracional que consolida a música como elemento essencial da identidade cultural local.




 
 
 

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